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::.. SINOPSE DO ENREDO ..::
G.R.C.E.S. FILHOS DO ZAIRE - CARNAVAL 2024
Enredo: Um dengo ąs Rosas Pretas

O Grêmio Recreativo
Autor: Não Informado

Introdução

Desde o nome deste enredo, cada palavra, cada argumento é pensado de forma a ser mais uma das peças que se consolidarão numa reflexão, que perpassa pelo estado da homenagem, do reconhecimento histórico em meio a ludicidade e também de forma ténue, a ser um dengo para as mulheres pretas de nossa humanidade.
 
"Dengo", palavra de origem banta (atualmente dos países Congo, Angola e Moçambique) que integra a língua quicongo, tem um sentido profundo e ancestral: dengo é um pedido de aconchego no outro em meio ao duro cotidiano.
 
Ou seja, com "Um dengo às rosas pretas" não só procuramos dar o aconchego a estas mulheres tão maltratadas na história real, mas também buscamos encontrar esse aconchego em brilhantes histórias de mulheres, ou melhor, rosas pretas que demonstrando sua resiliência não só brotaram, como resplandeceram em terreno infértil.
 
Rosas pretas que numa pequena mostra de duas representatividades, será perceptível a conexão com as histórias de mulheres pretas de todos os lugares da Terra.
 
Vamos juntos nos inspirar e ser inspiração.
 
A rosa preta
 
No reino das flores impera a diversidade e há lugar para diversas rosas de destaque, figura entre elas, esplendorosa, a rosa preta, bela e austera, forte e delicada, mas nunca comum, pois ela é rara. As flores pretas representam nobreza, amor e seriedade.
 
Embora seja uma flor rara, existem alguns tipos de flores pretas. A rosa preta é uma das flores mais raras e mais belas que existem. Ela é a preferida do ser supremo, por isso, tem um significado muito simbólico: é a flor da amizade verdadeira e da lealdade. Simboliza o poder, a força, a resiliência e determinação. Ela é a flor da coragem e da persistência. A rosa preta atrai a sorte, a prosperidade, a cura e a proteção.
 
Tamanha simbologia justifica o fato de que neste dengo que estamos prestando às mulheres pretas, essas que também são raras e especiais em sua essência, são comparadas pela Zumbi Zaire às rosas pretas.
 
O começo
 
Em África, o berço da civilização, onde Olodumaré é o deus supremo, universal e poderoso, é o lócus de um jardim que ostenta beleza e magnitude - da extrema delicadeza das pétalas, à força ferina de seus espinhos protetores das rosas pretas.
 
Do alto de seu apogeu esse deus observa sua criação na Terra e busca com seu poder que a harmonia impere. Mas, o bicho homem tem suas vaidades, suas imperfeições e insiste na desobediência aos desígnios de seu criador, o que leva esse deus a intervir dando vida a sua criação mais preciosa, a rosa preta, que com um afago suave em suas pétalas as transformam em mulheres belas e delicadas, fortes, guerreiras e destemidas.
 
Mesmo que inicialmente subjugadas por um sistema de patriarcado, machismo e racismo, essas rosas pretas, que ao simples afago se transformam em mulheres pretas, representam o protagonismo das mulheres pretas.
 
Na história dos livros oficiais Halfeti, na Turquia, é o nascedouro das "verdadeiras rosas negras". Mas, nesta homenagem da Zumbi Zaire vamos contar sobre as nossas rosas pretas, cujos passos veem de longe e a demonstração de sua beleza, perfume e também resistência, visto a estratégia de sobrevivência contida em sua estrutura de espinhos.
 
Como as rosas, mulheres não são únicas, cada uma tem características próprias e dar luz a histórias de duas rosas pretas, raras e excepcionais, como a flor preta, é a nossa missão no Carnaval 2024. Partindo de nossa estória em que a partir do entendimento que o mundo é criação de Olodumaré traçamos um paralelo entre as histórias de Rosa Parks e Rosa Maria.
 
A Rosa do lado de lá
 
A rosa é uma mulher da pétala preta. Mora num jardim entre espinhos e variada beleza.
 
Apresento-te, uma rosa pequena, delicada e frágil, mas sem medo de se impor e lutar por um direito que é genuinamente seu. Ainda assim, seu sorriso traz o acalento que só as rosas são capazes de transmitir aqueles que sabiamente sabem tocá-las.
 
Nossa primeira rosa, Rosa Parks, a propulsora dos direitos civis nos Estados Unidos. De feição delicada, Parks resistiu bravamente ao não ceder seu lugar a uma pessoa branca e segregacionista num ônibus e desta forma garantiu seu lugar na história.
 
Parks nasceu no dia 4 de fevereiro de 1913, em Tuskegee, no interior do Alabama. De pai, carpinteiro e mãe professora, com o divórcio dos pais, Parks se mudou com a mãe e o irmão para uma fazenda na região metropolitana de Montgomery, capital do estado. Na juventude, estudou em escolas rurais, fez cursos vocacionais e ingressou em uma universidade pública exclusiva para negros.
 
Desde cedo presenciou a segregação racial nos EUA: a pé, a caminho da escola, observava passar os ônibus exclusivos para alunos brancos. Em 1932, Rosa casou-se com o barbeiro Raymond Parks, adotando seu sobrenome. O marido a convenceu a voltar aos estudos universitários, que ela tinha largado para cuidar da mãe e da avó doentes. Foi ele quem introduziu Rosa nas atividades da Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor (NAACP, na sigla em inglês), organização que lutava pelos direitos civis dos negros nos EUA, na década de 1940, ela se tornou uma militante ativa e assumiu o cargo de secretária da NAACP.
 
Em 1º de dezembro de 1955, Rosa Parks voltava para casa depois de um dia de trabalho como costureira em uma loja de departamentos. Na legislação do transporte público de Montgomery, os assentos da frente eram reservados para pessoas brancas, e os de trás, para os negros. Mas, caso o ônibus lotasse era dever dos negros darem lugar aos brancos. Naquele dia, assim que o ônibus encheu, o motorista solicitou que Parks se levantasse. Mas ela se recusou e acabou presa.
 
Mal sabia que uma "pequena" atitude da rebeldia ao estopim para um movimento histórico, a recusa de Parks em ceder o lugar para uma pessoa branca deu força para que os movimentos pelos direitos civis dos negros crescessem pelo país. Organizações como a NAACP entraram em cena e pagaram a fiança de Parks, passo que gerou um grande boicote as empresas de ônibus.
 
O protesto teve o apoio de lideranças locais, como o pastor batista de Montgomery, Martin Luther King Jr. O movimento durou 382 dias encerrando a segregação, causou prejuízos à companhia de ônibus e resultou em uma decisão judicial que alterou as regras no transporte público daquele país. Por sua atitude, Rosa Parks foi reconhecida posteriormente como "primeira-dama dos direitos civis".
 
O boicote e os protestos trouxeram consequências diretas para Parks. Ela foi demitida e começou a receber ameaças mudando-se então para Detroit, no estado de Michigan, em 1957. Lá continuou participando dos movimentos por direitos civis, até que, em 1965, ela foi contratada para trabalhar como secretária do congressista negro John Convers - cargo que ocupou até 1988. O casamento com Raymond, que não resultou em filhos, durou até o fim da vida do marido, em 1977.
 
Pelo protagonismo na luta pelos direitos civis, ela recebeu ainda em vida diversas condecorações, como a Medalho Presidencial da Liberdade e a Medalha de Ouro do Congresso. Publicou uma autobiografia em 1992 e morreu em 24 de outubro de 2005, por causas naturais. Seu caixão foi velado por milhares de pessoas e honrado com a bandeira pela Guarda Nacional do Estado de Michigan.
 
As lutas e o protagonismo das mulheres negras
 
Agora, nossa viagem te apresentará a força que tem uma mulher preto, quando se vê sozinha tendo que lutar como uma fera pelos seus direitos e garantir suas conquistas, sem ao menos perder o encanto e doçura, essência da rosa.
 
A discriminação de gênero e de raça são componentes estruturantes que estão presentes na realidade brasileira desde sua formação sócio-histórica, econômica e cultural. Uma parcela considerável da população é constituída por mulheres negras, que, ao longo da história, foram silenciadas, exploradas, negligenciadas socialmente e enfrentam problemas semelhantes até os dias atuais, quando analisados fatores como: taxa de homicídios, inserção no mercado de trabalho disparidade salarial, desemprego e a falta de representatividade política. Consequentemente, o racismo e a misoginia condenaram as mulheres negras a uma condição de marginalização social, tornando-as mais vulneráveis quando analisados os fatores de sistemas de opressão que institucionalizou práticas discriminatórias.
 
A violência é outro problema importante, entre elas, a violência obstétrica, em situações de violação de direitos ao longo da gestação e do parto. Não ter acesso à analgesia no parto (medicamentos para alívio da dor), ter menos consultas pré-natais ou ter uma atenção pré-natal inadequada, não ter direito a acompanhante no parto, tudo isso são exemplos de violência obstétrica. Isso sem falar que, as mulheres negras são submetidas mais frequentemente a manobras desnecessárias para acelerar o trabalho de parto se comparado as realizadas nas mulheres brancas.
 
O racismo é uma herança ou um produto do colonialismo, ou seja, de regimes de governo marcados pela imposição, pela dominação política, económica e cultural. E ele se expressa em termos estruturais, institucionais, nas condições de vida e de saúde da população. Alguns corpos são destinados à ocupação de um lugar de inferioridade, de desigualdade. E é esta ideia de raça que faz com que negros estejam em desvantagem em termos de saúde e também em condições de vida inferiores.
 
Mulheres negras tiveram que, historicamente, lutar, resistir e unir suas dores em um grande movimento frente a um sistema patriarcal e racista que insiste em invisibilizá-las por meio da violência física ou negar-lhes direitos fundamentais. No Brasil, o 25 de julho foi oficializado em 2014 quando a então presidenta Dilma Rousseff sancionou a lei no 12.987 e decretou o dia do reconhecimento nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. Desde então, as mulheres têm se mobilizado e saído às ruas nesta data levantando bandeiras importantes como o combate ao racismo, à violência doméstica, o genocídio da população negra e contra os retrocessos que estão em avanço no país. O mês de julho passou a ser o mês das pretas com suas lutas e reivindicações para dar continuidade a sua existência enquanto sujeitas históricas e de direitos.
 
A Rosa do lado de cá
 
Linda, a rosa preta inspira poemas e sem papas na lingua troca beijos com borboletas, para desespero do girassol que se acha o rei deste planeta.
 
Agora vocês conhecerão uma rosa cantada em verso e prosa, delicada como os poemas, mas forte e aguerrida e com um universo de acolhimento contido na extensão do seu abraço para toda aquela que precise da força desta rosa.
 
É justamente do universo dos poemas que nossa Rosa Egipcíaca nasceu. Rosa Maria Egipcíaca da Vera Cruz ou Rosa Courana é considerada a primeira mulher negra a escrever um livro no Brasil.
 
Vinda da região ocidental da África (Benin), nossa Rosa chegou em São Sebastião do Rio de Janeiro em 1725, após ter sido capturada e vendida por traficantes de escravos. Na época ela tinha 6 anos de idade e permaneceu lá por 8 anos, período que foi mantida em cativeiro e chegou a ser estuprada pelo dono. Rosa Maria se prostitui, sofreu muito com dores nas pernas, mas foi a mensagem de Nossa Senhora, que lhe apareceu em sonho para dizer que precisava aprender a ler e escrever para registrar seus passos no mundo e cumprir a missão celestial que definiu seu destino.
 
Também através de outras inspirações vinda da santa, Nossa Senhora do Bom Parto, Rosa Maria decidiu fundar um Recolhimento, a princípio para "mulheres do mundo", que desejavam como ela parar de se prostituir. Desse modo, em 1754, deu-se início a construção do Recolhimento de Nossa Senhora do Parto, aproveitando a capela de mesmo nome, onde hoje está localizada a Rua da Assembleia, no centro do Rio de Janeiro. O espaço abrigou mulheres diversas, que estavam em alguma situação de vulnerabilidade, fossem elas negras ou brancas. Rosa Maria nos deixou um imenso e rico legado.
 
A defesa de mulheres negras da espiritualidade
 
Ela, a rosa preta, foi criada por Deus com amor, com carinho. Ela tem ternura, tem doçura, mas também tem espinhos. Ela tem um cheiro que seduz e a muitos inebria, sua cor é tão intensa e o coração acalenta.
 
Neste momento, o protagonismo é todo das rosas que tocam nossas almas com a sutilidade de seu perfume e em forma de mulher nos guia aos mistérios espirituais contidos nos ensinamentos de nossa ancestralidade, nos ensinando a caminhar nesse plano, com amor, respeito e acolhimento a todo aquele que precise de um colo de mãe.
 
Há uma energia que não podemos ver, mas podemos sentir. Há um governo espiritual, que rege o universo e os caminhos. Como as Yabás, Mãe-Rainha, termo usado para os orixás femininos.
 
Uma mancha na história da humanidade, a escravidão, onde mulheres negras eram obrigadas à servidão e eram seviciadas, reforçou o que todas possuíam em comum: a fé. A fé de mudar a história, não desistir e ser livre.
 
As rosas entre nós
 
Sou mais que uma flor, sou mais que uma linda rosa, sou rosa preta, sou mulher da pele negra. Do meu modo de viver, encanto, sem enfeites ou muitos arranjos. Sou rosa preta, sou única e especial. Sou a mais bela flor.
 
Um culto a todas as negras que trabalham no dia a dia, como as mães solteiras que trabalham para garantir o pão na mesa de seus filhos, as que trabalham e lutam pela igualdade de salários, as que trabalham e estudam para garantir oportunidades. Dedicadas para construir um futuro melhor. As rosas que possuem sua história e sua importância e relevância histórico social.
 
Promover um encontro das belas e fortes Rosas, que protagonizaram a história de lutas e conquistas das mulheres de pele preta e que aqui celebram livres de amarras, grilhões, segregação, desigualdade e preconceito, mostrando que toda mulher merece ser tratada com respeito, mas além disso que as nossas rosas pretas mostram que a mulher cor de →ébano merece ser vista com admiração, só é possível nesse dengo ancestral. Um encontro que a Zumbi Zaire promoverá a altura de Rosa Parks e Rosa Egipcíaca.
 
Uma reflexão que traz consciência
 
A mais bela rosa deste mundo tem o nome mulher... mulher da pele preta.
 
O nosso desfile é um tributo as mulheres da cor de ébano. As eternas rainhas do nosso pavilhão.

 


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