
"Terra vermelha, dos Índios Guaianazes, das Fábricas, das Festas...
Por tudo isso e muito mais, a Filhos do Zaire enche o peito e diz; Ermelino é o meu lugar"
PRÓLOGO: UMA HOMENAGEM À ERMELINO MATARAZZO
"Alguma coisa acontece no meu coração, quando chego a Ermelino quanta emoção". Aproveitando a inspiração de Caetano Veloso na canção Sampa, a Filhos do Zaire vem falar de suas origens.
Em Sampa, ou melhor, na cidade de São Paulo de tantos povos, raças, histórias... o bairro de Ermelino Matarazzo é a personificação de todos estes elementos e seus contrastes.
De território indígena, passando pela explosão do capitalismo e da produção das fábricas até os dias atuais onde muitas lutas iniciadas em tempos remotos persistem.
A luta pela moradia, pela educação, emprego, cultura... Mesmo assim um celeiro da criatividade. Seja nos campinhos de terra espalhados pelo bairro, ou nos grupos musicais que levam em sua assinatura a origem advinda de Ermelino.
Vamos trabalhar o bairro de Ermelino Matarazzo traçando uma linha do tempo desde os primórdios a componentes lendários e de suma importância para narrar esta história.
Certa vez Beth Carvalho disse que: "O carnaval é uma aula de história na avenida", a Filhos do Zaire acrescenta a esta reverberante afirmação que no Carnaval 2017, na homenagem a Ermelino Matarazzo, a Zaire irá revigorar este povo guerreiro mostrando que muito foi empenhado para chegarmos desta forma aos dias atuais, mas que muito ainda pode e deve ser feito para vivermos em plenitude de cidadania e dignidade.
Em todas as Alas, em cada Fantasia, a saga do povo de Ermelino será retratada. Índios e escravos estarão presentes sambando ao som das caixas, surdos e tudo mais que bateria Doutores do Samba irá levar para a avenida. E o nosso Pavilhão será honrado e honrará ao bairro que mora em nosso coração.
Em nosso terceiro carnaval nos sentimos maduros para esta missão. Certos de que abrilhantando nossa gente, elevaremos a Filhos do Zaire ao seu devido reconhecimento.
"Somos fruto desta terra, gente desta gente e lutamos por nosso reconhecimento como as mãos que construíram e constroem esta nação".
(Rejane Romano)
INTRODUÇÃO:
A identidade de um povo está diretamente relacionada à sua origem. O bairro onde nascemos, crescemos e desenvolvemos raízes sociais diz muito sobre quem somos.
Bairros em periferias de capitas têm muitos elementos iguais, mas com certeza a relação de seus moradores com estes aspectos forma questões individuais e específicas de cada local.
Para uma compreensão do enredo, precisamos levar em conta os seguintes aspectos presentes no desenvolvimento do desfile:
1. A terra. Focando na origem do bairro de Ermelino Matarazzo vamos resgatar representantes de nossa cultura brasileira levando para a avenida grandes personagens da formação da matriz do povo brasileiro que estiveram presentes nesta terra dos Índios Guaianazes os quais viviam à margem esquerda do Rio Tietê, a chamada região do Ururaí - Tupi Guarani, Lagarto D'água ou Planalto de Baquirivu;
2. O trabalho. A luta por construir uma vida. O trabalho nas Fábricas, a identificação e literalmente a construção do bairro;
3. O social. Os movimentos sociais que pautaram as conquistas do povo de Ermelino. Como as lendárias Festas do 1o de maio que chegaram a chamar mais atenção que as festas realizadas pelo movimento sindical e a Festa das Nações que atrai turistas de outros locais;
4. A vida. Em todo o enredo buscaremos retratar a vida em Ermelino. Se não a que idealizamos, a que estamos construindo a cada dia, a cada ação.
Que todos os componentes da agremiação e quem assistir ao desfile da Filhos do Zaire possam entender as maravilhas de Ermelino Matarazzo possam sentir a emoção "Que só quando cruza a Paranaguá e a Boturussu" se pode sentir.
TEXTO BASE PARA LEITURA LÚDICA DO ENREDO
Território dos índios Guaianazes e da Terra do Pé Vermelho.
Assim como no descobrimento do Brasil aqui viviam os índios que foram devastados pela Coroa Portuguesa e aprenderam a conviver com o negro escravo.
Cortado pelo Ribeirão Mongaguá um cinquentão repleto de jovialidade (em 18 de fevereiro de 2017 o bairro de Ermelino vai completar, após o desmembramento do bairro de São Miguel, 58 anos).
Na década de 50 as fábricas de referência: Cia. Nitro-Qiumico Brasileira, Celosul, Cia. Industrial São Paulo e Rio-Cisper atraiam moradores vindos de vários lugares do país.
Um bairro que poderia se chamar "Ermelindo" tamanha a sua beleza. O que falta de investimento público sobra em criatividade. A casa da Filhos do Zaire foi tema de Filmes e já inspirou canções. Polo das mais distintas linguagens culturais, repleta de garotos com suas pipas a colorirem o céu.
Terra fértil de sambistas, do Carnaval (Bloco Amazonense, Escola de Samba Ermelinense e o Grêmio Recreativo Cultural Filhos do Zaire) e do futebol de várzea com os times históricos: Barroca, Belém, Garra Negra, Verônia, XI Garotos e o inesquecível Zaire.
Lugar de gente Festeira que comemorou o 1ª de maio, a Festa do Trabalhador,
como em nenhum outro lugar.
Que tem na Festa das Nações um de seus principais atrativos.
Celeiro de um povo acostumado a lutar para conquistar.
O movimento da moradia, as ocupações de terras, a busca pela implantação da USP Leste...
Um bairro que começou a crescer em volta da Igreja São Francisco sob a liderança do incansável Padre Ticão pautado pela Teologia da Libertação.
A luta nunca termina quando se busca um bem maior.
Uma comunidade unidade com sede de cultura.
Que busca viver com dignidade, dando fim a desigualdade.
Ermelino é o meu lugar.
DIVISÃO GERAL DO ENREDO
Como o programa de um espetáculo, segue a sequência da narrativa do desfile. São quatro os setores em que o enredo se desenvolverá:
Setor 1: Os índios. Primeiros habitantes de Ermelino.
Setor 2: As fábricas. Representando o povo trabalhador.
Setor 3: A gente festeira. A festa do 1ª de maio e a Festa das Nações
Setor 4: As conquistas. Tudo que torna Ermelino Matarazzo um bairro único.
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