
JUSTIFICATIVA DO ENREDO
Devido as agruras do dia a dia de cada um, as dificuldades da vida com problemas e barreiras a felicidade, entendemos que o melhor remédio e o riso. Elegemos o palhaço como mestre maior desta arte de sorrir, contando um pouco do seu ofício e suas várias facetas na sociedade e história humana.
SINOPSE DO ENREDO
Meu caro amigo,
Escrevo-lhe esta carta para lhe contar um pouco da minha vida de palhaço.
A roupa colorida, o rosto pintado e fazer essas graças no palco. Serei eu, um louco, um sonhador, um irresponsável.
Mas eu lhe digo, meu amigo, que ser palhaço é a minha vocação, a minha missão, a minha razão de viver. Ser palhaço é ser o sacerdote da besteira, da bobeira e do riso. Tudo o que não tem importância me interessa. Porque eu sei que é nas pequenas coisas que está a essência da vida. Porque eu sei que é na simplicidade que está a beleza do mundo. Porque eu sei que é no riso que está a cura para as dores da alma.
Eu sou um palhaço porque eu aprendi com a trupe dos mestres do circo.
Há muito tempo atrás, lá pelo século 11, a religião cristã transformou a figura do diabo, que até então era um homenzinho engraçado, em uma figura com chifres que lembrava o deus Pã dos gregos, e deram a ele um tridente igual ao de Posseidon, o deus grego dos mares. Isso era para combater as religiões greco-romanas da época. As pessoas daquele tempo, associavam o diabo a figura brincalhona de Pã e em vez de medo, riam. E o inferno que deveria ser assustador, até hoje é uma grande piada, e uma palhaçada de demônios caricatos.
Eu aprendi com os bobos da corte que faziam a realeza rir. Eu aprendi com os personagens clássicos da comédia teatral. Eu aprendi com a comédia Dell'Arte de Molière, o dramaturgo francês. Eu aprendi com as trupes itinerantes de artistas circenses.
Eu sou um palhaço porque eu sou parte da cultura popular brasileira. Eu sou parte dos mascarados fantasiados coloridos que animam as folias de reis. Eu sou parte dos palhaços inseridos dentro da folia do bumba meu boi. Eu sou quem dá o ritmo e a música do circo de lona como conhecemos hoje. Eu sou parte do mestre do show no picadeiro do circo. Eu sou parte da figura feminina da bailarina. Eu sou parte da voz que gravou o primeiro samba no Brasil.
Eu sou um palhaço porque eu sou um resistente, um solidário, um homenageado. Eu sou um resistente porque eu protesto contra a opressão e as reivindicações ao governo e à sociedade. Eu sou um solidário porque como participante dos Palhaços sem Fronteira, eu atuo em lugares de alta vulnerabilidade social e crises humanitárias, reivindicando os direitos humanos. Eu sou um homenageado porque eu faço parte das personalidades do humor na sociedade e história brasileira.
E também curando com o sorriso vou até crianças, adolescentes e outros públicos em situação de vulnerabilidade, e risco social, em hospitais públicos com meus amigos, os Doutores da Alegria.
Meu amigo, eu espero que você compreenda um pouco mais o meu ofício de palhaço. Eu espero que você respeite e admire a minha arte de fazer rir. Eu espero que você se inspire e se contagie com a minha forma de ver a vida.
E se algum dia você quiser me visitar no circo, será muito bem-vindo, mas hoje estarei na avenida desfilando com o Grêmio Recreativo Cultural e Social Escola de Samba União Imperial. Venha me ver sambar entre as minhas palhaçadas, as minhas mágicas, as minhas malabarices. Venha me ver ser o sacerdote da besteira, da bobeira e do riso.
Venha rir e desfilar comigo no carnaval de 2024.
Do seu amigo, O Palhaço.
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