A minha Vila é correnteza
Beleza que não cessa
E vem desaguar seu carnaval
Em samba, em força, é água!
da Terra, o sangue, a essência
Nascente, seiva, sumo da existência
do chão pro ar, no frio polar
Céu fechou, vem temporal
Chuva forte, tão vital
Alimento natural
Renovando essa grandeza
Toda fauna, toda flora em esplendor
É saúde, corpo são pro meu amor
Esse banho que refaz a esperança
E a Vila avança
Mas o homem sempre cede
a sua sede de ambição
Consome e descarta
Polui e maltrata
Destrói o futuro
Cadê a razão?
O desperdício desse bem
A vida matará
Calor, degelo e quem
Do mar se salvará?
Mas a Nenê, imortal guardiã
Desfila pro mundo ter um amanhã
Trago as águas de Oxalá
Pra lavar o mal
Odoyá, o doce Iemanjá
Oxum, oraie-iê o
Verteu a lágrima
de quem chorou de saudade da Nenê.
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