::.. CARNAVAL 2003 - G.R.C.E.S. MOCIDADE ALEGRE................................
FICHA TÉCNICA
Data:  01/03/2003
Ordem de entrada:  5
Enredo:  Omi! O Berço da Civilização Iorubá
Carnavalesco:  Nelson Ferreira
Grupo:  Especial
Classificação:  2º
Pontuação Total:  199,5
Nº de Componentes:  3000
Nº de Alegorias :  não consta
Nº de Alas :  não consta
Presidente:  Elaine Cristina Cruz Bichara
Diretor de Carnaval:  não consta
Diretoria de Harmonia:  não consta
Mestre de Bateria:  Mestre Sombra
Intérprete:  Daniel Collête
Coreógrafo da Comissão de Frente:  não consta
Rainha de Bateria:  Nani Moreira
Mestre-Sala:  Rubens de Castro
Porta-bandeira:  Adriana Gomes
SAMBA-DE-ENREDO
VERSÃO ESTÚDIO

MOCIDADE ALEGRE
Compositores: Tico/ Imperial/ Silvio Negão/ Silva Oliveira/ Fábio Bonfim

 

Água, Mocidade dá um banho de fé

É paixão, é cultura, é axé

Essa fonte de vida

Gotas de amor, essência da criação

A missão de criar, recebe Oxalá então

Traído pela sua indiferença

Não cumpre a oferenda, sedenta ilusão

OdUduá faz sua vingança

Tendo o poder em suas mãos

 

Ciscando, Adié faz a terra espalhar

Dando luz à nação Yorubá

Expressão de bondade infinita

E assim o milagre da vida se viu

Moldado em barro o homem surgiu

 

Mistério, é o ciclo da vida a se desvendar

É Nanã BurukE dos IbÁs

Governando em águas turvas

Chora, de suas lágrimas o rio-mar

Rainha negra Yemanjá, Odoiá

Oxum, Oxum, Oxum, senhora da realidade

Da riqueza, do amor e da fertilidade

Ora yÊ yÊ Ô

Senhor, oh Senhor!

Aos seus pés repousam as águas

Acima de ti não há nada

Iluminai nossa morada

 

Ôôô, é água amor, fundamental

É água pra vencer o mal

Taí o nosso carnaval.

 

SINOPSE DO ENREDO
Carnavalesco
Carnavalesco: Nelson Ferreira

 

Encarregado por Olodumaré de criar o mundo, Orisalá recebeu do Deus Supremo o "Saco da Criação". Porém, altivo e prepotente, Osalá recusou-se a fazer alguns sacrifícios e oferendas a Esú, o primogênito do universo, que permitia a comunicação entre os dois mundos e encontrava-se à porta do Orun.

 

Como vingança Esú fez Osalá sentir uma sede intensa. Para matar esta sede o Grande Orisá furou com seu opásoró a casca do tronco de um dendezeiro, de onde escorreu um liquido refrescante, o vinho do palma. Osalá saciou a sua sede e de bêbado adormeceu.

 

Seu irmão e grande rival Odùduà tomou-Ihe o "Saco da Criação", e foi relatar a Olodumaré o ocorrido. Diante disto, o Deus Supremo ordenou que Odúduá criasse mundo.

 

Saindo do além, Odùduá deparou-se com uma extensão ilimitada de água. Odùduá liberou do saco uma substância marrom, a terra, formou-se um montículo que ultrapassou a superfície das águas. Uma galinha cujos pés tinham cinco garras passou a ciscar e espalhar a terra quo se alargou por toda a superfície. Odùduá fundou a cidade de Ilè Ifé o berço da civilização lorubá e do resto do mundo, onde se estabeleceu seguido pelos demais orisás.

 

Osalá, como consolo, recebeu a tarefa de modelar no barro o corpo dos seres humanos. No entanto, não levava muito a sério a proibição de consumir dos derivados do dendezeiro e, vez ou outra, embriagava-se com o vinho de palma e criava seres defeituosos ou os tirava do forno antes do tempo, razão pela qual os albinos e lodos os portadores de defeitos físicos são consagrados a Osalá.

 

Esse mito de criação revela que, embora o mundo estivesse por ser criado, a água já existia, portanto, a água precede a forma. A água parada e lamacenta como a dos pântanos, que Odùduá encontrou no mundo, lembram a divindade mais antiga do Candomblé. Nana Buruku, uma deusa de criação simultânea a criação do mundo, a representante da memória ancestral de nosso povo.

 

Sem água, a vida na terra seria impossível, animais e vegetais necessitam da água para sobreviver.

 

A saudosa Mãe Menininha do Gantois certa vez disse: "acima de Deus nada, abaixo de Deus a água".

 

A água é a força das Grandes Mães, a força da mulher, a origem da vida. Falar da água é falar da energia feminina que comanda o mundo.

 

A água lava a alma, traz a paz e retira as coisas ruins. Ela é a força de Nana Buruku, do Yemojá e do Osun, as grandes deusas das águas que precedem a forma e sustentam a criação. 

 

NANA BURUKU - A PODEROSA DONA DOS CAURIS

Nana Buruku. a deusa dos mistérios, é uma divindade de origem simultânea à criação do mundo, pois quando Odùduá separou a água parada que já existia, e liberou do "saco da criação" a terra, no ponto desses dois elementos formou-se a lama dos pântanos, local onde se encontram os maiores fundamentos de Nana.

 

Senhora de muitos búzios, Nana sintetiza em si, morte, fecundidade e riqueza. Seu nome designa pessoas idosas e respeitáveis e para os povos jeje, da região do antigo Daomé, significa mãe. Nesta região onde hoje se encontra a República de Benin, Nana muitas vezes e considerada a divindade suprema e talvez por esta razão é freqüentemente descrita como um Orisá masculino.

 

Sendo a mais antiga das divindades das águas, ela representa a memória ancestral de nosso povo, é a Iyá Agbá (mãe antiga) por excelência. É a mãe dos Orisás Iroko, Omolu e Osumaré, mas por ser a deusa mais velha da seita. é respeitada como mãe por todos os outros Orisás.

 

Nana e o princípio, o meio e o fim; o nascimento, a vida e a morte. Ela é a origem e o poder. Entender Nana é entender o destino, a vida e a trajetória do homem sobre a terra, pois Nana é a história. Nàná é a água parada, água da vida e da morte.

 

Nana é o começo porque Nana é o barro, e o barro é vida, Nana é a dona do Asé por ser o orisá que dá a vida e a sobrevivência, a senhora dos Ibás (que deveriam ser de barro) aquela que permite o nascimento dos deuses (no barro dos Ibás) e dos homens.

 

Por ser uma figura ancestral, anterior inclusive a Idade dos Metais, nos sacrifícios de animais que lhe são consagrados é terminantemente proibido o uso de faca (em alguns casos é utilizado o obé de madeira) pois a própria Nana mata uma cabra sem utilizar a faca. 

 

YEMOOJA - A MÃE DE TODAS AS CABEÇAS

Yemoja é a rainha de todas as águas do mundo, sejam as águas doces dos rios ou as águas do mar. Seu nome deriva da expressão Yèyé Omo ejá que significa a "mãe dos filhos peixes". Na época era cultuada pelos Egbá, nação iorubá da região do Ifé e Ibadan, onde se encontra o rio Yemoja. Este povo se transferiu para a região de Abeokutá, levando consigo os objetos sagrados da deusa que foram depositados no rio Ogum que não tem nada haver com o Orisá Ogun.

 

Apesar de no BrasiI Yemanjá ser cultuada nas águas salgadas, sua origem é um rio que corre para o mar, como revelam suas lendas.

 

Contam que Yemoja foi violentada por seu filho Orugan e dessa relação incestuosa nasceram diversos Orisás e de seus seios rasgados jorraram todos os rios do mundo.

 

Porém, outra lenda conta que Yemanjá, após rejeitar seu filho Osossi (que esteve encantado por Osanyín ) e por isso enfrentar a rebeldia de Ogun, descontrolou-se ao ser abandonada por eles. O desgoverno emocional causado por essa crise familiar fez Yemanjá chora desesperadamente. Ela acabou se desmanchando em suas próprias lágrimas e tranformou-se num rio que corre para o mar. Com essa morte tão passional Yemanjá se transformou em Orisá.

 

O culto a Yemanjá é bastante difundido no Brasil, ela protege marinheiros e pescadores, assegurando pescarias sempre abundantes. No último dia do ano, uma multidão de fiéis vestidos de branco invade as praias a fim de pedir proteção à "rainha do mar", entregando-lhe flores, jóias, perfumes, sabonetes e muitos outros presentes, rogando paz e prosperidade.

 

Muitas vezes, porém, a imagem que essas pessoas tem de Yemanjá ou seja, aquela mulher branca com longos cabelos negros e vestida com uma túnica azul, está muito distante da figura da grande mãe africana de seios chorosos que realmente é. 

 

ÒSUN - A BELA DEUSA SENSUAL DO AMOR E DA FECUNDIDADE

Na Nigéria, mais precisamente em Ijesá, Ijebu o Osogbó, corre calmamente o rio òsun, a morada da mais bela Yabá. Rainha de todas as riquezas, mãe da doçura e da benevolência. Generosa e digna, Osun é a rainha de todos os rios. Vaidosa, ela é a mais importante entre as mulheres da cidade, a Iyálòóde. Exerce seus domínios sobre as águas doces e cristalinas dos rios, das fontes e das cachoeiras, e também sobre a fecundidade das mulheres, pois quando transformou o sangue (menstruação) da sacerdotisa em penas de Ocodidé, proclamou a realidade do poder feminino.

 

Sendo Osun a senhora da fecundidade e a iniciação no Candomblé um nascimento, ela se faz presente em todos os momentos da feitura, é a dona do Osú, aquela que traz a possibilidade de comunicação com os Orisás.

 

Quando um óvulo é fecundado Òsun se faz presente, vai proteger o feto e assegurar sua vida a partir deste momento, passando pelo seu nascimento e crescimento até que adquira domínio sobre um idioma.

 

É na placenta que se aloja o destino de cada ser, seu Odu, que coloca em jogo a vida da criança e de sua mãe. Quando uma criança nasce se a placenta não for retirada a mãe certamente morrerá, é o sangue que jorra sobre a criança no dia do nascimento que a consagra à vida.

 

Eri iyè, salve Òsun, nossa mãe querida, rainha deste asé, que abençoa seus filhos com as chuvas tropicais do verão e sela sua aliança através dos peixes dos rios. 

 

OUTROS ORISÁS DAS ÁGUAS

Embora as grandes matriarcas da água sejam Nana Buruku, Yemoja e Òsun, outros tantos deuses participam deste elemento. Uns, são cultuados na África e praticamente esquecidos no Brasil. ou então cultuados como qualidades dos 16 deuses principais; outros, têm alguma participação no elemento água, mas na verdade pertencem a outros elementos. 

 

OLÓÒKUN

É a divindade do oceano, considerada um Orisá masculino na região de Oió e feminino na região de Ifé. A nação Kêtu do Candomblé brasileiro segue a tradição de Ifé, por isso consideramos Olòókun uma mulher, a mais bela e mais rica deusa que a África já conheceu, a senhora do mar, que guarda todas as riquezas do mundo, a mãe de Yemoja. 

 

OLOSÁ

Na África é considerada a divindade de uma lagoa onde deságuam vários rios. No Brasil, Olosá é cultuada como uma qualidade de Yemoja. 

 

AVEREQUÊ

É o príncipe jeje que habita nas espumas do mar e gosta do receber orobò como oferenda. É um deus que garante riqueza e prosperidade àqueles que o agradam. 

 

EWA

Esta é a divindade do rio Yewá, quo corre na África paralelamente ao rio de Ogun, em certas lendas e freqüentemente confundida com Yemoja. No Brasil, principalmente na nação Kêtu, não há qualquer confusão com relação a Ewá, ela é a guerreira caçadora, esposa do rei Omolu, companheira de Òsùmàré e irmã de Òsun. 

 

ERINLÈ

É o deus do rio de mesmo nome, que corre na região de Ijesá, é um deus da caça, um caçador de elefantes Na região do Ilobu se faz o culto ao rio e ao Orisá às margens dos lugares profundos, seu símbolo é uma haste central com um pássaro no topo ladeada por mais de 16 lanças. No Brasil, Erinlè, ou Inlé, é considerado uma das qualidades do Osóssi, a Orisá caçador. 

 

OBÁ

É a guerreira valente, terceira mulher de Sangô, que na África é a divindade do rio de mesmo nome. No Brasil, Oba, por ser uma brava guerreira, está ligada ao elemento fogo. 

 

LOGUN EDÉ

É filho de Ode Erinlè com Òsun Ipondá, que possui as características do pai e da mãe e participa dos elementos de ambos. É um Orisá da terra, por ser filho de Osóssi e também da água, herança de sua mãe Òsun. 

 

OYA YÀNSÀN

Rainha dos ventos, ds raios e das tempestades. Na África, é a divindade do rio Niger, mais conhecido coma rio Oya. A segunda mulher do Sangô, participa juntamente com o marido, do elemento fogo. 

 

ÒSÙMÀRÉ

Este é o Orisá do movimento, participa do elemento água quando ela sobe aos céus na forma de vapor e novamente cai sabre a terra na forma de chuva. Òsùmàré abençoa este e todos os ciclos, mas é, como a maioria dos Orisás do antigo Daomé, um deus do elemento terra.

 

ÒRÌSÀNLÁ

Todos os anos em inúmeros Candomblès do Brasil realizam-se a cerimônia das Águas de Osalá. Embora na maioria das casas a festa se realize no mês de janeiro (o início do ano para os cristãos). o ideal é que a festa seja feita entre os meses de agosto e setembro, pois o Candomblé não e uma religião cristã e acredita-se que neste período começa um novo ciclo, um novo ano para aqueles que não comungam a fé cristã.

Osalé é a água da limpeza e da renovação.

 

TÓPICOS A SEREM OBSERVADOS

Omi - Água

Olondúmaré - Deus supremo, criou os orixás e deu a eles as atribuições e deu a eles as atribuições de criar e controlar o mundo.

Orixás - Divindades Deuses do Panteão Iorubá

Oxalá - O mesmo que Obatalá, um grande orixá

Exu - Orixá mensageiro

Odúduá - Orixá da criação, criador da terra, masculina ou feminina, criou o homem.

Axé - Força mística dos orixás, força vital que controla o mundo

Orum - Céu, o mundo dos orixás

Ajê Saluga - Orixá da Riqueza

Ilé Ifé - Grande morada

Adie – Galinha 

 

FANTASIAS


No h contedo para este opo.



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