::.. CARNAVAL 1996 - A.C.E.S. UNIDOS DE TAIPAS................................
FICHA TÉCNICA
Data:  18/02/1996
Ordem de entrada:  10
Enredo:  Não Entender é Melhor Que Tentar Explicar
Carnavalesco:  não consta
Grupo:  4
Classificação:  4º
Pontuação Total:  90,0
Nº de Componentes:  500
Nº de Alegorias :  3,
Nº de Alas :  11
Presidente:  Lenildo de Jesus Ramos
Diretor de Carnaval:  não consta
Diretoria de Harmonia:  não consta
Mestre de Bateria:  não consta
Intérprete:  Juarez Jesus(Jota-Jota)
Coreógrafo da Comissão de Frente:  não consta
Rainha de Bateria:  não consta
Mestre-Sala:  Luiz Carlos Camargo
Porta-bandeira:  Flávia Celina do Amaral
SAMBA-DE-ENREDO

PASSO DE OURO
COMPOSITOR: CLEITON ANTÔNIO DE PAULA

 

OH! CLAREIA MEIA-NOITE, LUA CHEIA

TODA CRIANÇA TEM MEDO DE ASSOMBRAÇÃO

EU TAMBÉM GUARDO LEMBRANÇAS

ELO FORTE DE ESPERANÇA, HERANÇA E TRADIÇÃO

 

DEIXE, ESSA CRIANÇA QUE HÁ DENTRO DO SEU PEITO

VIR FALAR MAIS ALTO NESSE NOSSO CARNAVAL

POIS TODO HOMEM, É DOTADO DE ESPÍRITO

VINDE A MIM, OH! PEQUENINOS, INOCÊNCIA NA MORAL

BRINCAR DE AMOR CANTIGAS

SE ESSA RUA FOSSE MINHA, MEU PEDAÇO DE ILUSÃO

MEU CARROSSEL GIRAVA ASSIM ETERNAMENTE

SAI PARA LÁ HOMEM DO SACO, SE MANDA BICHO PAPÃO

 

DE AZUL E BRANCO

A NOSSA ESCOLA VEM PRA INVADIR A RUA

O NEGRO, O BRANCO E O ÍNDIO AQUI PISARAM

E AJUDARAM A ENRIQUECER NOSSA CULTURA

 

E ASSIM, EM FORMA DE ARTE O POVO SE MISCIGENOU

E A MAGIA TOMOU CONTA DA CIDADE

A MEDICINA POR SI POPULARIZOU

E A MÃE DE SANTO CUROU FEBRE E MAU OLHADO

O MUNDO MUDOU

E A GENTE CRÊ NO QUE SE FAZ ACREDITADO

SE É SEXTA-FEIRA DIA TREZE E TEM MANDINGA

MEU PATUÁ, MEU PÉ DIREITO, A SORTE É VINDA

A FERRADURA E A ESPADA DE SÃO JORGE

PARA PROVAR QUE ASSIM COMIGO NINGUÉM PODE

 

COMIDA FORTE MEU BEM E A FORÇA DOS ORIXÁS

VEM A UNIDOS DE TAIPAS COM A BENÇÃO DE OXALÁ

EH! JUREME, EH! JUREMA SE NÃO ME ENTENDE

É MELHOR NÃO ME EXPLICAR.

 

SINOPSE DO ENREDO
O Grêmio Recreativo
Autor: Cláudio Ramos

 

Nas ruas de terra ou no fundo dos parques: você pode ver as crianças brincando. Chega mais perto que você vai acabar lembrando que brincou daquelas brincadeiras também! era pedrinha, cabra-cega, amarelinha, jogo da velha, mão na mula e aquelas antigas cantigas de roda. Se prestar bem atenção, também vai perceber que elas não sabem quem inventou aquelas brincadeiras e músicas, como você também não sabia; e que na verdade, nem querem saber. Agarrados às suas bonecas e carrinhos de madeira rústica, estão mais interessados em correr livres e sorrir bastante.

E todos sabem que sorriso de criança é uma benção.

Mas elas também choram, porque tem medo do "homem do saco", do "bicho papão", da "cuca" e de outros tantos monstros que a gente inventa para meter-lhes medo.

E se você souber uma história e quiser contar, elas irão sentar-se em sua volta satisfeitas e acreditarão em tudo que disser: porque nossas crianças são tudo aquilo que dissemos à elas e que acreditam que são. Por isso quando crescem, seguem aquilo que viram ou ouviram enquanto cresciam; e, da mesma forma, ensinarão aos seus filhos. Isso chama-se tradição.

Foram tantas as culturas se misturando ao longo dos tempos que não conseguimos mais saber de que continente vieram e de qual cultura. Não sabemos se vieram da África, com os negros; da Europa com os imigrantes e colonizadores ou se daqui mesmo, dos índios. Um tanto de uma cultura; outro detalhe de outra.

Pois a cultura também miscigenou. Primeiro é a medicina popular, que entra em nossa vida a todo instante e aparece muito cedo nas nossas febres de criança, no "mal olhado" e no "bucho virado" que a mãe-de-santo nos terreiros de umbanda, pedindo ajuda aos orixás, cura e benze com arruda de guiné. Se é verme, tem raiz pro bicho se assustar e fugir. Se é fraqueza, tem a garrafada de ovo de pata, mentruz e vinho. E quando o mal é na pele, basta um banho de raiz que a dor passa e afasta a coisa ruim.

Mas se você aprendeu que não presta cruzar com gato preto ou sair na sexta-feira dia 13, melhor não arriscar.

O mundo mudou como tem que mudar, mas a gente ainda acredita no que quer acreditar.

Se me pesa o medo da mandinga eu carrego um patuá. Pra proteger e trazer sorte. Para começar o meu dia, levanto com o pé direito e dou três pulinhos; depois coloco um galho de arruda na orelha direita, e sossego. Não me arrisco passar embaixo de escada; nem esqueço de cuidar da "comigo ninguém pode". Depois troco a água das espadas de São Jorge, que é guerreiro e protetor, e estão sempre combatendo seu dragão cuspidor de fogo.

Mas antes de sair de casa, penduro na porta uma ferradura, para guardar o lar. E não esqueço de juntar no meu chaveiro, um pé-de-coelho e um trevo de quatro folhas. Que assim, eu sei, vou estar protegido e com muita sorte.

Se estou com fome já vou chegando e me servindo; é arroz doce, é angu, sarapatel, buchada, cural, rabanada, acarajé, mandioca e mugunzá. Que é comida boa e diferente; as vezes forte e apimentada, as vezes doce e outras vezes salgadas. Sempre passo no centro de umbanda pra cumprimentar meu pai. Vou com a minha guia no peito, dou passagem pro santo, fecho o corpo e peço a benção. Sempre acendo uma vela, e quando bebo, toco um tanto pro santo, que é pra respeitar.

E se na batida do atabaque eu não sentir mais emoção, é porque não bato mais capoeira e estou perdendo a tradição; acaba que Oxalá se irrita e não vai mais querer me ajudar.

Por isso respeito o Tupã dos índios; acredito nas bruxas das crianças e na bandeira do divino. E quando meu filho nascer, vou pra ele dizer e ensinar, tudo aqui que vi e ouvi.

Sem me importar em entender.

Porque os tempos modernos tentam explicar as coisas com suas fórmulas e leis; tudo bem, aceito, mas nem tudo pode ser explicado pela ciência. Se me sinto bem com as simpatias e peço respeito às minhas tradições é porque eu sei que elas têm seu poder. Como respeito os tempos modernos, quero que respeite a minha tradição. Sou homem simples, tenho pouco estudo, mas tenho raiz.

Mas os tempos modernos e a televisão dizem que estou errado. Porque eles é que sabem de tudo, e querem explicar a verdade das coisas. Mas não entendem.

Se não entendem como querem explicar?

Por isso, se a gente tentar explicar algo que não entende, vai acabar complicando mais e estragando tudo. O que importa mesmo é a fé de que vai dar certo; o resto a gente deixa como está, que no fim Nosso Senhor acaba ajudando.

Mas os homens modernos são teimosos e não entendem que as vezes não entender, é melhor que tentar explicar.

Por isso estamos aqui com nosso carnaval, pra dar o maior exemplo de tradição.

 

FANTASIAS


No h contedo para este opo.



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