::.. CARNAVAL 1996 - S.E.S IMPERADOR DO IPIRANGA................................
FICHA TÉCNICA
Data:  não consta
Ordem de entrada:  não consta
Enredo:  Tem Muito Cacique Sem Curso de Índio
Carnavalesco:  não consta
Grupo:  1
Classificação:  6º
Pontuação Total:  274,0
Nº de Componentes:  não consta
Nº de Alegorias :  ,
Nº de Alas :  não consta
Presidente:  não consta
Diretor de Carnaval:  não consta
Diretoria de Harmonia:  não consta
Mestre de Bateria:  não consta
Intérprete:  não consta
Coreógrafo da Comissão de Frente:  não consta
Rainha de Bateria:  não consta
Mestre-Sala:  não consta
Porta-bandeira:  não consta
SAMBA-DE-ENREDO
VERSÃO ESTÚDIO

UNIDOS DE VILA MARIA
COMPOSITORES: LULA/ AMADOR

 

MADEIRA DE LEI NA MATA ACABOU

LÁ EM BRASÍLIA ELA SE MULTIPLICOU

MADEIRA DE LEI NA MATA ACABOU

LÁ EM BRASÍLIA TEM (CARA DE PAU)

CARA DE PAU-BRASIL, PEROBA, EMBUIA, EMBRULHAÇÃO

MUITO CACIQUE SEM CURSO DE ÍNDIO PARA UMA NAÇÃO

(CADÊ, CADÊ)

CADÊ MINHA CARA PINTADA

A ÁGUA LAVOU, O TEMPO LEVOU

MEUS PRINCÍPIOS DE ÍNDIO ALGUÉM BARGANHOU

QUEM EU SOU?

CHEIO DE AMOR

SOU IMPERADOR

LUTANDO, PELOS PRINCÍPIOS DESSA GENTE

PRESERVAR, A NATUREZA

O MAR DE XARAÉS

 

LARGA O JACARÉ

NÃO ME ENGANA

JIBÓIA SOME

E NA EUROPA VIRA GRANA

 

E O MEU POVO APERTADO

TÃO LARGADO NA FAVELA E NO MUNDÃO

DEBAIXO DA PONTE O METRO QUADRADO

VALORIZADO COM ESSA INFLAÇÃO

 

DÁ O QUE É MEU (ME DÁ, ME DÁ)

(MEU PEDAÇO DE CHÃO)

BRASILEIRO PLANTA E COLHE

NESSA TERRA DE MEU DEUS

SEM TER NA MESA O PÃO.

 

SINOPSE DO ENREDO
O Grêmio Recreativo
Autores: Walter Dias da Silva (Valtinho) e Irineu Camargo de Campos

 

1ª PARTE - MAR DE XARAÉS, ONDE TUDO COMEÇOU

Quando, há alguns séculos atrás, a expedição exploradora chegou fortuitamente ao Mar de Xaraés - perfeito paraíso perdido em algum ponto da América do Sul, deparou com uma peculiaridade fantástica: não obstante estar longe do oceano, haviam lagoas de água salgada próximas a lagoas de água doce.

O Mar de Xaraés era habitado por indígenas agrupados em diversas tribos, com níveis culturais diferentes. Entre outras os Guaycurus, os Payaguas, os Bororós e os Guató, também chamados de índios canoeiros. Cada tribo tinha o seu chefe, ou morubixaba, ou, ainda, o grande cacique. Outra presença forte na tribo era do pajé, chefe espiritual, misto de sacerdote, profeta e médico feiticeiro.

As mulheres fiavam e teciam o algodão, fazendo redes e esteiras; fabricavam peças de cerâmica.

Os homens da tribo possuíam objetivos comuns. Caçavam, pescavam; embora não possuíssem a característica de agricultores, faziam o cultivo do milho (a época da colheita era anunciada com dança festiva), da mandioca, do fumo, do algodão, da erva-mate; fabricavam suas armas, suas canoas, seus instrumentos musicais.

As crianças eram tratadas com muito afeto e carinho por toda a tribo. Os meninos, da tenra idade à fase adulta, eram rigorosamente orientados e treinados para talvez um dia ser escolhido o cacique da tribo e tinha de estar aptos à grande honraria. A sala de aula era a vasta natureza. Ao longo do aprendizado adquiriam princípios básicos: índio não mata pelo simples "prazer de matar", índio não rouba e tampouco pratica fraude; índio não é corrupto.

Era, indiscutivelmente, um curso intensivo de índio.

2ª PARTE - PARAÍSO AMEAÇADO

As tribos habitavam verdadeiro santuário ecológico. Posteriormente constatou-se que o Mar de Xaraés é uma imensa planície de 140.000 quilômetros quadrados, cortada por vários rios e composta por três tipos de áreas: as sempre alagadas, as periodicamente alagadas e as sempre livres de inundações.

Ostenta a exuberância dos diversos tipos de associações vegetais, pujante fauna (mais de 800 espécies silvestres) se revela nas formas mais surpreendentes ao redor, principalmente, das lagoas que não secam na estiagem, onde a concentração de animais produz cenas deslumbrantes. Forma-se uma cadeia alimentar na qual algumas espécies se fortalecem enquanto outras ficam mais vulneráveis. Ariranhas, lontras, capivaras, tamanduás, onças-pintadas, jacarés, sucuris, macacos bugios, cervos e uma infinidade de aves tuiuiús, araras, garças, gaviões reais, urubus-rei. Todos encontram nesse paraíso, alimentos, abrigo e satisfatórias possibilidades de proteção e normal desenvolvimento.

Nos rios e lagoas, a forma de vida mais abundante do locas: peixes.

A expedição exploradora permaneceu durante muito tempo em Xaraés, em nome de um poderoso e distante Imperador, tomou posse da região. Os índios, legítimos donos da terra, em momento algum foram perguntados se aceitavam tal imposição.

Os anos passaram-se, o Imperador, frequentemente informado do potencial da região, estimulou a colonização; Daí surgiram as primeiras vilas ao redor do Mar de Xaraés. Tribos revoltadas com a invasão foram subjugadas, outras foram atraídas com toda espécie de bugigangas, pouco a pouco, passaram pelo processo de aculturação. Algumas embrenharam-se em lugares remotos de Xaraés; Era o início da civilização e da profanação do santuário ecológico.

3ª PARTE - ESTRANHOS CACIQUES, SEM CURSO

Para administrar a região, o Imperador nomeou um Governador Geral que trouxe, pra auxiliá-lo, um ouvidor-mor, um provedor-mor e um capitão-mor. Esse triunvirato era completado por um tesoureiro das rendas, um almoxarife dos mantimentos, um mestre de fortificação, um vigário da Igreja Matriz, escrivão e outros funcionários.

As vilas se expandiram. Outras regiões foram conquistadas e civilizadas. Os séculos sucederam-se, as vilas viraram cidade, algumas de grande porte.

Com a evolução territorial e a mudança de hábitos e costumes, nasceu uma nova nação: Brasil, "O País do Futuro". As tribos indígenas foram definitivamente substituídas por "tribos heterogêneas de civilizados e seus caciques". A terra fértil despertou cobiça dos fazendeiros e agricultores. Com eles grandes desmatamentos e queimadas irracionais. A riquíssima fauna também sofre a ação dos predadores civilizados: os coureiros na caça perversa aos jacarés, as onças, as sucuris. cujas peles contrabandeadas para o exterior alcançam enormes valores comerciais, e se transformam em sapatos, cintos, bolsas, carteiras e enfeites; os caçadores de pássaros, que prestam "inestimável colaboração" à extinção, principalmente, do urubu-rei e do gavião-real, os garimpeiros, com uso do mercúrio promovem a contaminação e poluição dos rios.

Os novos caciques permanecem impassíveis ante a devastação.

4ª PARTE - MAR DE LAMA

Exercendo frágil poder, o atual Imperador mora na cidade de Brasília, moderna capital do Brasil. Não governa sozinho. Diversos órgãos o assessoram no exercício de suas funções: vários Ministérios, Poder Judiciário e Assembléia Geral, órgão que faz as leis, formada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado num total de 380 membros eleitos para um período de sete anos.

A Assembléia Geral, encastelada em Brasília, "abortou" alguns caciques políticos "sem curso de índio" os quais comandam bancadas na arte de legislar em benefício próprio e dos afilhados. A dos ruralistas é a mais atuante. Só esqueceram-se do principal objetivo de promover o bem comum. Com algumas exceções, a "tribo política e seus caciques" praticam a "Lei de Gerson" (levar vantagem em tudo) e cultuam a "política do é dando que se recebe". Dá para contar nos dedos de uma mão, os políticos punidos pela conduta imoral. E olha que sobram dedos.

Na imprensa, notícias diárias dão conta das fraudes, das corrupções, do desvio de dinheiro público, do comportamento antiético. Recentemente, ganhou destaque na mídia um episódio risível, ao ser inquirido sobre a suspeita de enriquecimento ilícito, um nobre Deputado atribuiu à sorte a sua imensa fortuna; Ganhou inúmeras vezes na Loteria.

A propósito, o Brasil é um imenso cassino.

Nesse mar de lama, o povo está prestes a romper a duvidosa tolerância que permite tolerar o intolerável - a pobreza, a fome e a falta de perspectivas de um futuro melhor. O salário mínimo, votado pela Assembléia Geral, é de R$ 100,00 Reais, não cobre o custo de uma cesta básica. A falta de moradia tem levado muita gente à morar debaixo da ponte, a falta de emprego serve de incentivo à mais recente mão de obra não especializada: carrinheiros, símbolos do subemprego.

Todos estão decepcionados. Uns mais, outros mais ainda.

País de contraste. A pobreza (favela) instalada ao lado da opulência (ricas mansões). De um lado, os pobres sem recursos financeiros e materiais, do outro parcela considerável de pobres em valores morais, embora bilionários.

Em síntese a população do Brasil está de "saco cheio" com a tribo dos políticos.

Das sementes de princípios plantadas pelos antigos caciques indígenas, poucas germinaram na Saara política. Se há escassez de bons frutos, em compensação:

"Tem Muito Cacique Sem Curso de Índio"

"Se uma sociedade livre não pode

Ajudar os muitos pobres

Não poderá salvar os poucos ricos"

(John F. Kennedy)

 

FANTASIAS


No h contedo para este opo.



MAIS INFORMAÇÕES SOBRE S.E.S IMPERADOR DO IPIRANGA
HISTÓRIA | CARNAVAIS | HINO | CURIOSIDADES

 


:: SASP - SOCIEDADE DOS AMANTES DO SAMBA PAULISTA ::
WWW.CARNAVALPAULISTANO.COM.BR
SASP - UMA ENTIDADE COM DIFERENCIAL !!

Copyright ©2000-2016 | Todos os Direitos Reservados