
APRESENTAÇÃO:
Nossa bandeira é o nosso manto. É quem nos cobre de razão, de força, para contar no canto, na dança e na alegria, a nossa História. Somos um povo miscigenado. Multifacetado, colorido e feliz. Graças a Deus! Ou graças aos Deuses, ou aos xamãs. Somos um povo guerreiro e batalhador que colaborou para o crescimento desse Brasil, cujo tamanho, deveria ser chamado de Brasis. Somos o povo de um país continental que foi explorado e massacrado pelos nossos antepassados. Mas, que apesar de tudo, sorri.
A nossa herança é repleta de bravura e que nos leva a condição de não esmorecer jamais. Avante, sempre com um sorriso no rosto, o filho desta nação valente, segue teso e em riste diante o seu pavilhão. É com essa galhardia que a nossa agremiação contará um pequeno trecho, dos muitos aterrorizantes que a nossa História sequer ousa tocar. Para essa jornada, andaremos vestidos e armados com as armas de São Jorge, para que nossos inimigos tendo pés não nos alcancem, tendo mãos, não nos peguem e tendo olhos não nos vejam. E, se virem, que sejam a nossas glórias; e, que, nenhum pensamento mal possa nos atingir nessa jornada.
Salve São Jorge guerreiro, o nosso mentor e padroeiro!
PRÓLOGO:
A justiça nem sempre é para os justos. Uma fenda histórica aberta pela febre do ouro no período das “Entradas e Bandeiras” nos revela que o sobrevivente e o agraciado não é o justo, mas, sim, o bravo. O audaz, o sagaz, o voraz e o imponente. Qualidades presentes em um verdadeiro bandeirante.
A História sempre exaltou a audácia dos bandeirantes em desbravar os sertões mais inóspitos dos rincões brasileiros e, ainda nos revela que a coragem abre os caminhos às novidades quando é dotada de força e coragem.
Ser corajoso, muitas vezes faz passar por cima dos princípios. É estar acima do bem e do mal para fazer o correto. Mas, o que é o correto afinal? Para quem é o correto? A história nos mostra heróis que sobressaíram sobre o sofrimento de outras pessoas e que absurdamente deixaram um rastro de sangue sobre o que deveria ser moral.
Nosso enredo vem mostrar exatamente isso: a História vitoriosa do Bandeirante Manuel de Borba Gato contada através de pessoas torturadas e aprisionadas por ele. A sua bravura alimentada pela ambição o levou até o ápice que abre a febre do ouro no Brasil graças aos interesses da Coroa Portuguesa.
Assim, tendo deixado um rastro de sangue e crueldade, o criminoso social, Borba Gato, foi agraciado como Juiz para atender os interesses da Coroa nos remontando à ideia que a política do toma-lá-dá-cá foi quem escreveu cada capítulo da vergonhosa História desse país e, principalmente a esse período que mais se matou pelo controle de riquezas das Minas Gerais.
SINOPSE:
PRIMEIRO SETOR:
Desde a chegada dos portugueses e a divisão de capitanias hereditárias para a exploração territorial, os verdadeiros donos da terra não tiveram mais sossego. O recorte para o nosso enredo começa numa tribo tupi alocada no sertão da capitania de São Vicente, nos arredores geográficos da Vila de São Paulo de Piratininga, local de onde saíam diversos bandeirantes em caçada aos indígenas e escravos fujões para serem levados aos senhores feudais, principalmente os doutrinados pelos jesuítas. O sertão da capitania de São Vicente ficou conhecida e marcada pela capacidade bandeirante de captura indígena que será ilustrada e emoldurada pelo demônio invasor.
SEGUNDO SETOR:
Borba Gato foi um exímio caçador. Teve muita sagacidade para prender negros e índios e estuprar as mulheres indígenas. Foi representado como demônio para os indígenas paulistas. Mas, a sua marca-mor na história foi a capacidade paralela de andar pelos vales dos sertões encontrando metais preciosos. Numa de suas aventuras bandeirante o mesmo encontrou um sítio de riquezas conhecida como Sabarabuçu. Num conflito de interesses pela riqueza do local com o fidalgo D. Domingos Castelo Branco, representante da coroa que tentou lhe tomar a propriedade, ele o assassinou e evadiu-se por uma década da região, sendo considerado como foragido e até mesmo morto.
TERCEIRO SETOR:
Inteligente e sagaz, Borba Gato tornou-se defensor de si mesmo. Com o talento nato para descobrir terras repletas de minérios, Borba Gato saiu da condição de assassino até chegar ao posto de Juiz Ordinário da Coroa. Durante o período de sua administração descobriu esmeraldas, ouro e prata. Contudo, os mineiros passavam fome, passando então aos paulistas criar gados e distribuir o comércio de carnes pelos sertões do Brasil.
A prosperidade do minério veio através do esforço e exploração da mão-de-obra escrava. Os negros foram os grandes producentes das jazidas de minérios na região de Sabará, o que atraiu os olhares de migrantes de outras regiões para participar da exploração. Borba Gato teve que enfrentar uma grande guerra, denominada Guerra dos Emboabas em que os mineiros de outras regiões, principalmente os favoráveis à Coroa, venceram os paulistas os expulsando da região.
A guerra trouxe morte, miséria e pobreza ao povo e no final, a Coroa se manteve dona das fazendas das Minas. Aqui, se encerra o nosso recorte de nosso enredo mostrando que a ação de um bandeirante criminoso abriu uma fenda histórica e uma ferida social no coração do Sudeste. Embora as mortes e a reluzência do ouro possa encher a história de glórias, não tem como falarmos de riqueza sem ressaltar a obscuridade e a pobreza desse homem conhecido como herói.
APOTEOSE
Assim, encerra-se o recorte sobre a biografia de um importante nome da História do Brasil; tão glorificado nos livros como um valente desbravador, porém, não referido como o algoz que o foi em decorrência de seus atos.
Aquilo que por motivo desconhecido ficou fora da narrativa histórica, a Acadêmicos de São Jorge prestou-se a contar para lembrar-se do processo e exaltar os humilhados e explorados.
Ao relatar a bravura deste homem não se pode dexiar de falar do soluçar de dor e da obscuridade promovida aos olhos da História que viu e ouviu, mas, fez que não ouviu.
APRESENTAÇÃO DO DESFILE:
COMISSÃO DE FRENTE – “CAÇADA VORAZ”:
Nada que é natural pode contra a invenção artificial humana. Os índios nada podem diante das armas de fogo e tampouco podem desconfiar da maldade dos homens brancos que invadem as florestas em buscas de riquezas. A abertura do desfile traz, através da Comissão de Frente, o embate desigual dos índios contra os seus algozes.
1º CASAL DE M.S. & P.B. – “TERRA BRASILIS”:
Através de seu bailado o primeiro casal representa a confluência in natura dos primeiros habitantes, ainda em sua terra intocada e sem as ameaças.
ALA 01 – “RESISTIR E LUTAR”:
Com suas armas rudimentares os indígenas se preparam para enfrentar o inimigo que possa a surgir durante o desbravamento do homem branco que adentra as matas, em busca de riquezas e devastando a verdadeira riqueza natural.
ABRE-ALAS – “EMOLDURADOS NA HISTÓRIA”:
O abre-alas reflete a passagem imponente de homens destemidos e ambiciosos que não apresentaram escrúpulos ou culpa alguma em humilhar e deter o diferente, os colocando como raças inferiores. O motor dessas ações são: pedras preciosas e muito ouro pertencentes aos indígenas. Os bandeirantes imponentes deixaram as suas cicatrizes na História. Os tupis e os Xoklengs foram aldeias quase dizimadas diante a ação bandeirante.
ALA 02 – “DEMÔNIOS INVASORES”:
O movimento de Bandeiras eram as explorações financiadas particularmente, ou seja, sem o apoio governamental. A regra era encontrar, se apropriar e explorar, sendo assim, a imagem do bandeirante passa a ser vista como uma figura vil e demoníaca, pois estes matavam, queimavam aldeias e estupravam mulheres.
ALA 03, DAS BAIANAS – “A RIQUEZA DE SABARABUÇU”:
As bandeiras levaram os paulistas até o interior de Minas, onde os bandeirantes se apossaram de suas riquezas. Sabarabuçu era um vale repleto de ouro e diamantes que despertou a cobiça dos bandeirantes, principalmente do seu desbravador: Manuel Borba Gato. O ouro desperta a ganância.
BATERIA – “BORBA GATO, A FACE DA MORTE”:
Um homem truculento, de ações desmedidas e sanguinárias. Ambicioso, não mediu esforços para conseguir o que queria. Suas ações o configuraram por anos como o Senhor da Morte.
ALA 04 – “A FUGA DE BORBA GATO, O ASSASSINO DE CASTELO BRANCO”:
Ao tentar enfrentar o desbravador de Sabarabuçu, Domingos Castelo Branco perdeu a sua vida diante a ambição do bandeirante. Essa foi apenas mais uma das vidas ceifadas pelo sanguinário bandeirante. Num pais ainda em construção e sem constituição a fuga era uma das muitas formas de poupar a vida de um “fora da lei”. A ala ironiza um bandido em fuga depois do crime mostrando a fragilidade da colônia portuguesa.
ALA 05 – “A REDENÇÃO PELA CORTE”:
A Lei da Colônia era a Lei da conveniência e interesses. Borba Gato sabia disso e interpelou à Corte por clemência. A Corte Portuguesa, ao saber das minas repleta de riquezas, concede o perdão a Borba Gato e o denomina como juiz das minas de Sabarabuçu com a função de administrar as terras em nome do Rei.
2º CASAL DE M.S. & P.B. – “RELAÇÃO EXPLORADORA E A SUBSERVIÊNCIA”:
Se valendo da descoberta de Borba Gato, a Coroa Portuguesa intensifica o interesse na mão-de-obra escrava e fecha os olhos para o tráfico negreiro, passando a comunidade negra a servir os seus senhores em regime de escravatura. Aqui, a mulher escrava e subserviente reflete e realidade da época diante a coroa regida por costumes machistas em que, além de explorar a mão-de-obra, explorava a alma da mulher através da violência sexual.
ALA 06 – “PENEIRANDO A VERDADEIRA RIQUEZA”:
Nas mãos dos mineradores a força para enriquecer a coroa quando a maior riqueza e tesouros era o futuro construído através das próprias relações humanas. A criança simboliza a riqueza e o poder da manutenção de uma raça. O motor de um país.
2º CARRO ALEGÓRICO – “MERCANTILISMO MINEIRO”:
O barroco de Minas surge através da exploração de ouro e da venda de gados. A riqueza mineira atrai os olhos dos ambiciosos do Nordeste. O negócio de carne de outros derivados comerciais dos arraiais mineiros eram enriquecedores e os mercantilistas utilizavam de negras e crianças como escravos de ganhos para negociar seus produtos.
ALA 07 – “A GUERRA DOS EMBOABAS”:
Os mineiros nordestinos chegam nas terras “Das Gerais” com o intuito de explorar as minas recém-descobertas pelos paulistas de São Vicente, porém, Borba Gato nominado juiz da região, os impede da exploração iniciando uma guerra de interesses que geraria miséria e pobreza por dois anos e, a sua derrota encerraria seu ciclo administrativo sobre parte dos minérios de Minas Gerais, tirando a força e a imponência de Borba Gato.
BATERIA sai do recuo e ENCERRA o desfile.
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